Murais que pedem gentileza são restaurados no Rio

O empresário abandonou tudo para viver nas ruas do Rio e ficou famoso por pregar a gentileza.

A distração e a pressa são, muitas vezes, desculpas para não praticar a gentileza, uma virtude pregada por um profeta das ruas do Rio. Nesta sexta, os painéis pintados por ele e que viraram uma imagem simbólica começaram a ser restaurados.

No vai e vem da cidade, a correria é álibi para que ninguém veja quem está do lado. “As pessoas pensam muito mais nelas próprias. Eu acho que aí que está o erro”, disse o técnico de telecomunicações Roberto Oliveira.
Isso deixa ressentido quem quer um pouco de atenção. “Passa, não dá bom dia, boa tarde”.
Na rua, gestos simples que auxiliam e pessoas comuns que gostariam de um pouco mais de delicadeza. “Quantas vezes os carros não ficam em cima da gente e eu dando com a mão, dando com a mão para deixar a gente passar, mas é difícil”, contou a empregada doméstica Francinete da Silva.

Às vezes parece mais fácil não enxergar quem precisa de ajuda. “A gente que aprender a se defender sozinha”.
É bom quando tem por perto alguém como Sílvio. Ele cruza a rua guiando dois amigos deficientes visuais. “Eu me sinto bem fazendo isso e quanto mais eu fizer ainda acho que é pouco”, contou.
Era isso que o profeta Gentileza pregava. O empresário José Datrino, que abandonou tudo para viver nas ruas, é o autor dos murais pintados na Zona Portuária do Rio, que estão sendo restaurados agora. Tudo para dizer que gentileza gera gentileza.

“Foram 35 martelando nesta mensagem: ‘gentileza gera gentileza’, ‘não usem problemas, não usem pobreza, usem gentileza’, ‘gentileza é o remédio de todos os males”, lembrou o cineasta Dado Amaral.
Imagine como seria se todos resolvessem acreditar que é mais fácil não cumprimentar, não agradecer, não se desculpar, ignorar as outras pessoas. Aqueles que não perdem a esperança de um mundo mais gentil dizem que o remédio contra isso é cada um fazer a sua parte, nem que seja uma atitude solitária. É como a restauração dos painéis. Reconstruir o valor da gentileza todos os dias, ou quantas vezes forem necessárias.
E isso vai virando uma campanha silenciosa. As camisetas com os dizeres do profeta, que morreu em 1996, se espalham pela cidade do Rio, uma corrente que Francineri quer estender para o Rio Grande do Norte: “Ser gentil sempre”.
O cuidado com os murais é pra que eles não se percam com o tempo. É bom que a mensagem do profeta permaneça bem legível.

Fonte: Portal G1

Comentários

Postagens mais visitadas