Em depoimento, jovem baleado após Parada Gay do RJ reafirma que disparo foi feito por militar


O rapaz baleado na barriga após a 15ª Parada Gay do Rio de Janeiro reafirmou em seu depoimento, logo depois que teve alta, que o tiro foi disparado por um homem que se identificou como militar e usava farda camuflada. 

"Começaram a ofender, xingar, dizendo que, se pudessem, eles mesmo matavam cada um de nós com as próprias mãos, porque era uma raça desgraçada e tal. Humilhar, bater entre outras coisas. Foi quando um deles me empurrou no chão e me atirou. Eu caí sentado, e ele atirou na minha barriga", relatou o jovem, de 19 anos. 

O disparo aconteceu no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro, pra onde o rapaz e seus amigos foram depois da Parada. Com a denuncia, a polícia abriu inquérito por tentativa de homicídio e irá ouvir todos os militares que estavam de plantão durante o ocorrido. 

Em nota, o Exército afirmou que não há registro de disparo feito por militares na noite em que o rapaz foi baleado.


Mott sobre ataques a gays: Igrejas têm mãos sujas de sangue 
Por Ana Cláudia Barros

O espancamento de homossexuais por jovens de classe média alta na Avenida Paulista e a tentativa de homicídio contra um rapaz de 19 anos após a Parada Gay na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, ambos ocorridos no último fim de semana, são, na opinião do antropólogo e historiador Luiz Mott, resultado da intolerância, reforçada por um discurso fundamentalista religioso.
"A maior visibilidade e a conquista de espaços públicos por parte de homossexuais provocam a ira dos mais intolerantes, que estavam acostumados a um complô do silêncio", afirma, completando:
- As igrejas cristãs, em geral, têm as mãos sujas de sangue, pela intolerância que divulgam nos púlpitos e nas televisões. Elas fornecem munição ideológica para aqueles que têm ódio de homossexuais, fazendo com que esse ódio aumente. Vai chegar uma época em que o papa e essas igrejas vão pedir desculpas de joelhos aos homossexuais, como a igreja já pediu desculpas aos judeus, negros e índios.
Para Mott, que é fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), o País trata a questão da homossexualidade de forma contraditória:
- O Brasil tem um lado cor de rosa, que é representado pelas paradas gays, tem mais de 200 paradas e a maior parada gay do mundo; tem a maior associação LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) da América Latina; tem o Programa Brasil Sem Homofobia, ou seja, conquistou muitos avanços, mas tem um lado vermelho sangue. O Brasil é o país líder em assassinatos de homossexuais. Não é o país mais homofóbico do mundo, porque não temos leis, como no Egito ou no Iraque, onde os homossexuais podem ser executados, mas, a cada dois dias, um gay, uma travesti ou, em número muito menor, uma lésbica é vítima de crimes de ódio. São crimes praticados com requintes de crueldade.

Confira a entrevista completa no Terra.

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