Bagunça/Mãe/Sonhos e Infância

Eu estava pensando sobre a minha infância, vou tentar resumir pra vocês: bem, eu não tinha brinquedos novos eu tinha brinquedos que eu ganhava das casas aonde a minha mãe trabalhava como "faxineira", eu tinha de tudo um pouco... playmobil, lego, carrinhos, jogo de botão...

Mas eu não usava esses brinquedos na sua forma mais apropriada, eu criava um mundo todo diferente... Com pregadores de roupa eu montava cidades, paredes e ruas enormes e fazia toda uma história que até Spielberg invejaria - em outro momento criava um programa de TV com os meus bonecos de playmobil, com as goleiras do jogo de botão eu fazia as bancadas do meu Jornal Nacional... tinha até cameramens, era tudo muito rico em detalhes.

Ah, mas eu também erra um exímio mecânico, adorava desmontar coisas e remontá-las - problema era quando os carrinhos não funcionavam mais, será que eram as peças que sobravam? Acho que na verdade eu queria mesmo era saber o porque das coisas - um dia eu queria tomar leite quente, não tínhamos microondas, então coloquei o leite na cafeteira... Nem preciso dizer que a coitada da cafeteira (novinha) foi pro lixo.

Eu era um guri muito recluso, como os meus pais passavam o dia inteiro na rua o que me restava após a escola era ver televisão e inventar brincadeiras - morria de medo do Freddy Krueger no cinema em casa do SBT, passava noite com medo de dormir e de repente ele aparecer nos meus pesadelos.
 
Dormir? Isso sempre foi um problema, como eu não tinha o que fazer dormia a tarde e por consequência perdia o sono da noite. Deixava todo mundo dormir e ligava a TV e lá estava o , certa vez ele disse que adorava comer feijão gelado... #PHUDEU!

Lá estava o gordinho assaltando a geladeira a traz de um pote de feijão e para o meu deleite era uma descoberta maravilhosa - delícia!!! O problema era explicar a falta do tal feijão...

Simplificando, dentro do meu mundinho eu posso dizer que foi uma infância feliz e tranquila, o problema era acordar desse meu paraíso de vidas, invenções e descobertas minhas... Era complicado e triste não ter com quem brincar ou sei lá - não ter uma atividade alternativa? Digamos que eu nunca tivesse sentido falta de uma coisa que eu nunca tivera.

Tudo é válido, tudo é muito perceptível...
Os sonhos, lembranças e a inocência continuam aqui... Trago tudo comigo!

A hora da tua chegada!
Até mesmo do cheirinho da minha mãe, da tua comida, do prazer de ver você xingando a personagem ruim da novela, dizendo: "odeio essa atriz, ela é muito ruim... nunca gostei dela". Sendo que na outra novela dela, você dizia que adorava ela... Kkk!

Mãe, o engraçado é eu sentir a tua falta tendo você aqui (não tão) perto. Faz tempo que eu não tenho conseguido te dizer que T-E-A-M-O, mas o meu orgulho pela tua força, coragem e garra seguem gritando aqui no meu peito.

Mãe, me da um abraço no teu dia?
Feliz dia das minhas muitas Mães...

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